Plano de curso
Cânones da crítica internacional
O que pode a crítica?
Ementa
Reflexão em torno de textos e questões fundamentais da crítica literária internacional, em perspectiva transdisciplinar, destacando-se a importância dos paradigmas criados pela tradição crítica internacional para a leitura contemporânea da literatura e da cultura brasileira.
Objetivos
- Provocar a reflexão crítica a respeito da Literatura.
- Considerar as questões envolvendo a atualidade disciplinar da crítica literária.
- Realizar exercícios críticos envolvendo textos literários.
Concepção
O curso toma o gesto crítico como objeto — não um catálogo de escolas. Duas linhas avançam em paralelo: o professor caracteriza obras canônicas como casos críticos; cada estudante constrói, com atraso deliberado, o próprio corpus e problema. Operações em jogo: descrever, interpretar, comparar, historicizar, avaliar, deslocar.
Unidades
- I. O que é crítica?Interpretação, descrição, julgamento, ensaio, função social e autoridade crítica. Prática histórica, não catálogo de escolas.
- II. Como uma obra se torna objeto crítico?Autoria, intenção, forma, linguagem, gênero, voz, personagem e historicidade. Escolher uma obra não é ainda construir um problema.
- III. Quem lê, legitima e canoniza?Leitor, recepção, materialidade, circulação, instituição, valor e processos de canonização.
- IV. Quem pode falar em nome do universal?Gênero, raça, representação, posição enunciativa, centro e periferia. O fio começa nas Aulas 5–6 e se aprofunda nas Aulas 12–13.
- V. O que pode a crítica hoje?Crítica pública, plataformas, IA generativa e critérios de validade de uma leitura.
Casos críticos do professor
Não são obras obrigatórias a exaurir. Servem para mostrar como a crítica caracteriza, recorta e reconstrói o cânone.
- Antiguidade · Homero — Odisseia (canto XIX)Longa duração; epopeia, reconhecimento; articulação com Auerbach.
- Antiguidade · Safo — fragmentosCânone do fragmento: lírica, transmissão, voz, gênero.
- Antiguidade · Sófocles — Édipo ReiTragédia, reconhecimento; ímã da crítica (Aristóteles, Freud, Vernant).
- Idade Média · Dante — A Divina Comédia (um canto)Alegoria, comentário, vernacular teológico.
- Idade Média · Ciclo arturiano (A Demanda do Santo Graal)Autoria coletiva, transmissão, romance de cavalaria.
- Idade Média · Poema de Mio CidEpopeia em língua vulgar; fecha o triângulo poema / romance / epopeia.
- Era moderna · Cervantes — Dom QuixoteInvenção do romance moderno; paródia da cavalaria.
- Era moderna · Shakespeare — HamletPersonagem, subjetividade, performance e sucessivas reconstruções.
- Era moderna · Guimarães Rosa — Grande Sertão: VeredasLíngua, narrador, sertão; modernidade brasileira no cânone internacional.
Percurso do estudante
A escolha do corpus é deliberadamente retardada. Permanece revisável enquanto o levantamento bibliográfico ainda estiver em curso.
- Exploração · Semanas 1–4Caderno de Prospecção, sem corpus definitivo.
- Pré-seleção · Semanas 5–6Duas ou três possibilidades, com pergunta inicial.
- Delimitação · Por volta de 06/10 (Aula 7)Escolha provisória, recorte, justificativa e referências iniciais.
- Reconhecimento crítico · 06/10–13/10Fortuna crítica inicial. Substituição justificada até 13/10.
- Problematização · Semanas 10–11Problema, hipótese provisória e operadores.
- Análise e interlocução · Semanas 12–15Desenvolvimento da análise e crítica entre pares.
- Reformulação + aplicação · Semanas finaisDossiê, Experiência de aplicação e nota de percurso.
Metodologia
- Aulas expositivo-dialogadas curtas, orientadas por problemas.
- Leitura próxima de fragmentos literários e teórico-críticos.
- Casos Críticos: caracterização, canonização, fortuna, limites.
- Laboratórios de escrita crítica e Seminário Contínuo.
- IA generativa como objeto de análise, não como fonte de autoridade.
7h30–8h20 problematização; 8h20–9h05 leitura próxima; 9h05–9h20 intervalo; 9h20–10h20 laboratório; 10h20–11h escrita, seminário ou orientação.
Documento vivo: Plano de Curso + Plano de Aulas (Docs).